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quarta-feira, 16 de maio de 2012

IMPRENSA GRINGA

Eu fico cada vez mais besta com o que a imprensa esportiva divulga lá fora. De certo modo, até concordo com a TV Globo em apoiar deliberadamente nossos atletas. O problema é que eles exageram, mas fora isso tem mesmo é que apoiar. Na F-1, por exemplo, a coisa tá feia.

Nunca fui defensor de piloto brasileiro por ser brasileiro. Defendo quando o cara mostra serviço. Quando faz bobagem, apronta ou é um bundão, tem mesmo é que ser sacaneado pra ver se aprende.

Este não é caso de Bruno Senna e Felipe Massa. Bruno, tem feito um bom trabalho na Williams. Os seus resultados foram de bons a ótimos. Principalmente se levarmos em conta que ele não tem direito a treinar na sexta (por motivo de contrato) e mesmo assim tem feito bons tempos. Ficou na frente de Maldonado por duas vezes em cinco corridas, sendo que a dubla de Frank não terminou duas dessas cinco etapas.

Mas foi só Maldonado vencer o GP da Espanha que os ditos jornalistas, começaram com rumores de que Bruno seria substituído. O ex-Tyrrell Mika Salo, soltou um "Bottas replace Bruno Senna in 2012", que a imprensa do mundo inteiro cai de boca nisso. Ora bolas, será que qualquer resultado ruim é motivo de substituição na F-1? Eles estão querendo transformar o esporte a motor em algo como futebol ou basquete. O jogador não foi bem em um jogo, então o substitua.

No automobilismo isso não existe, o piloto tem que se acostumar e se "encaixar" no carro. É como quando você troca de carro e leva uns dias para acostumar com novo. Imagine uma situação dessas num carro que vai fácil aos trezentos quilômetros por hora. Leva tempo e Bruno tem tido uma boa adaptação na Williams.

Já no caso de Felipe Massa, seu talento é incontestável. Sempre se destacou na categoria, até mesmo em carros não muito confiáveis. Fez sua história pela Ferrari e só não foi campeão por culpa da própria equipe, que errou várias vezes durante o ano tirando pontos importantes.

Depois de seu acidente com a mola de Rubinho, se recuperou completamente terminando à frente do espanhol várias vezes em 2010. Por várias vezes, largou atrás de Alonso e ganhou a posição na pista. Massa sempre foi um expert em largadas, desde sua época na Sauber. Alonso sempre foi mediano nas largadas, mas melhorou muito depois de virar companheiro de Massa na Ferrari. Houve uma troca de experiência que não é devidamente valorizada.

Durante o ano de 2010, Massa subiu ao pódio, pontuou, fez corridas espetaculares, mas foi após o "Felipe, Fernando is faster than you" e ele nunca mais foi o mesmo. Seu rendimento na pista, os resultados e suas declarações foram tomando um rumo fosco. Ficou claro que ele não tem mais prazer em pilotar. Parece ter entregado os pontos, desistido de lutar por algo que não existe, ou que é tão impossível quanto a vida eterna na terra.

Seu talento é indiscutível. Felipe sempre foi um dos pilotos responsáveis pela ação na F-1 no fim dos anos dois mil. Em um campeonato que ainda sofria com falta de ultrapassagens e com corridas monótonas, Felipe juntamente com Hamilton, Kubica, Alonso, Button e Kobayashi faziam com que as corridas não fossem tão chatas e milhares de pessoas ao redor do mundo, levantavam mais cedo, ou dormiam mais tarde, ou nem dormiam para acompanhar o desfecho daquelas corridas.

Talvez Felipe tenha realmente desistido de sua carreira na F-1. Talvez esteja só esperando o término do contrato para dar o fora. Talvez ele não tenha adaptado bem aos novos pneus. Talvez o carro seja realmente ruim, mesmo que só o dele. Talvez, talvez. É uma pena essa ausência de Felipe, do velho Felipe, que faz tanta falta quanto outros pilotos brasileiros que já se foram. E é triste ver um talento desse desperdiçado.

A imprensa mundial cai de cima dos dois, Massa e Bruno, injustamente. Bruno por um resultado que caiu no colo de Maldonado e Massa por estar ofuscado por sabe-se lá oque. Questionar os resultados, apontar os erros, criticar suas atitudes dentro e fora da pista é aceitável e deve fazer parte da imprensa, mas questionar a capacidade deles é inaceitável. Principalmente no caso de Felipe.

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