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terça-feira, 11 de setembro de 2012

O QUE A LEI SECA E A GREVE DOS PROFESSORES TÊM EM COMUM?

O Brasil é um dos países emergentes que mais gasta em educação. Mais até do que os países do G8. Apesar disso, não vemos melhora alguma no setor. Pelo contrário. O que vemos é greve de professores, escolas caindo aos pedaços e alunos que se formam mal sabendo ler e escrever. O que acontece na educação não é diferente do que ocorre na Lei Seca. Desde que foi aprovada, o numero de apreensões de carteiras de motoristas mais que dobrou. Mas nós continuamos a ver acidentes causados por bebida e direção todos os dias.

Só no ano de 2007, o Brasil gastou nada menos do que 5,1% do PIB em educação, ficando à frente de países como Coreia do Sul, Argentina, Bulgária e República Tcheca. O interessante é que em países como a Coreia do Sul, o investimento deu resultado. No Brasil a situação é inversa. De 2008 para cá, o gasto em educação aumentou, mas este aumento não resultou em melhorias. Por que um país que investe tanto na educação, não consegue colher melhorias no setor? Por que cada vez mais professores abandonam suas carreiras por diversos motivos, entre eles, os baixos salários? Por que é cada vez mais comum ver jovens bêbados e dirigindo?

A primeira resposta que vem à cabeça é a corrupção. Mas além da corrupção, há um fato triste na história do Brasil: a má administração do dinheiro público. Boa parte do investimento em educação é mal administrada. O Brasil é um país de abismos. Há escolas públicas boas (poucas), mas a maior parte delas é da pior qualidade, não só pela estrutura física precária, mas também pelos professores mal preparados, didática do século 18 e uma pá de empecilhos que fazem da escola um ambiente hostil.

Do mesmo modo, na aplicação da Lei Seca, há um esforço das autoridades em fazer valer a lei. Mas a má administração dos setores responsáveis faz com que uma minoria experimente o amargo gosto da bebida num bafômetro. Em quatro anos de lei seca, na cidade de São Paulo, apenas cinco mil pessoas foram presas por dirigirem bêbadas. Em 2012, 109 mil motoristas fizeram o teste do bafômetro. Para uma cidade de 11 milhões de habitantes, estes números são irrisórios. Cinco mil pessoas é provavelmente o número de bebuns em uma cidade do tamanho de Belo Horizonte, por dia.

Se o combate fosse mais eficiente, com certeza este número dobraria da noite para o dia. A lei seca é tão ineficiente, que os próprios infratores dizem que bebem e dirigem porque nada lhes acontece. O Governo do Estado de São Paulo se orgulha de ter prendido cinco mil motoristas bêbados em quatro anos. Isso é vergonhoso. É lastimável também quando o Governo Federal levanta a bandeira e diz que o Brasil investe 5,1% do PIB em educação. O estado é ineficiente em quase 100% dos setores públicos. No caso da Lei Seca é ainda pior, pois envolve outro setor ineficiente: o Judiciário.

A população conhece essa ineficiência e quer, cada vez mais, que isso mude. Na educação, os professores fazem greve e chamam a atenção, mas e no caso da Lei Seca? Quem vai entrar em ação? Quando finalmente as autoridades vão levar a Lei Seca a sério? Será que o cidadão brasileiro está educado a ponto de reivindicar tal medida?

A maioria das pessoas que realmente apoia a Lei Seca foi vítima ou conhece alguma vítima de acidente de trânsito causado por bebida e direção. Boa parte dos motoristas são contra a Lei Seca, e pior, se dizem a favor, mas na sexta à noite enchem a cara e não largam o volante. No Brasil de hoje em que carro é um artigo de luxo e o transporte coletivo de pobreza, vai ser difícil mudar esse cenário.























A Lei Seca, se bem aplicada, vai funcionar, mas para as futuras gerações. É preciso “educação de berço” e educação escolar ética e eficiente. As gerações que estão por vir precisam ser educadas de forma que percebam o quanto é errado beber e dirigir. Não por causa de uma multa, mas porque carro e bebida juntos viram uma arma mortal.


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