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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

MONTADORAS VÃO TER QUE EXPLICAR O ALTO PREÇO DOS CARROS NO BRASIL



A Senadora Ana Amélia do PP/RS levou para o senado o que, há anos, já se discutia. Por que o carro no Brasil é tão ruim e tão caro? A proposta da Senadora é boa. Mas vai adiante? Gente muito mais poderosa tentou fazer o mesmo e se lascou. O problema é muito maior do que a gente imagina e não será numa audiência pública que saberemos a verdade existente por trás do alto preço dos carros.

A Senadora tocou, também, em um ponto importante: produção de elétricos e híbridos. Há tempos eu venho defendendo a ideia de que o governo deveria incentivar a produção de carros elétricos. Carro Flex é um atraso. Enquanto nossas “carroças” 1.0 fazem cerca de 15 km por litro, nos países ricos há carros 2.0 que fazem 20. No início dos anos 90, parecia que o país tomaria o caminho do desenvolvimento da tecnologia no setor. O Gurgel BR-800 fazia cerca de 19 km/litro na estrada. Hoje, nenhum carro popular chega perto desse número. Aliás, a Gurgel foi a primeira montadora a desenvolver um carro elétrico 100% nacional. Isso há mais de 20 anos (!).

Incentivar o etanol e o carro Flex não é a solução. Isso é andar para trás.

Isso nos leva a outra questão. Por que o país parou e ficou tanto tempo dependente das multinacionais? Por que os governos anteriores permitiram que se chegasse nesse ponto? Uma coisa é certa, no Brasil, um jeito fácil de ganhar eleição é mexendo no bolso do eleitor. Fazer discurso prometendo melhorar Educação, Saúde, Segurança é historinha para criança dormir. O povo brasileiro está acostumado a estudar em um ambiente péssimo, a ser maltratado pelo SUS e a ser refém de bandido. Neste país, o que garante vitória em uma eleição é IPI reduzido, crédito fácil e a perder de vista, redução no valor das prestações da casa própria, etc. Portanto, de fato, quem pode mudar a indústria automobilista brasileira é o próprio povo. Quando se sentir ferido e começar a reivindicar carros melhores e mais baratos, nem as quatro, nem as oito, nem as vinte ou sessenta grandes vão segurar a onda.

Se o povo não mostrar descontentamento com a situação atual, pode-se repetir a história contada na internet e em livros, sobre o que aconteceu lá no início dos anos 90, quando o Sr. João Gurgel foi até o então Presidente Itamar Franco pedir incentivo para a produção de um carro popular.

Essa iniciativa da Senadora Ana Amélia é digna de aplausos. Agora, se vai ou não ser explicado o verdadeiro motivo do alto preço dos carros no Brasil, ninguém sabe. Mas, pelo menos está dado o primeiro passo. Um primeiro grande passo.

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