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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

DETALHAR OS IMPOSTOS NA NOTAL FISCAL RESOLVE?


Não, mas já é um começo. Imagine que o preço de produção de um simples farol seja de cem reais, incluindo aí os impostos da folha de pagamento dos funcionários, conta de luz, água, telefone e tudo mais. O farol sai da fábrica para a montadora, ou para uma loja em algum lugar do país. Neste trajeto, há pedágios, alto preço da gasolina, do transporte, logística, etc. Chegando ao destino, há mais impostos. Novamente os da folha de pagamento de funcionários, IPI, etc, conta de água, luz telefone, etc. Sem falar do aluguel, que, se houver, não está nada barato.

A esta altura, o simples farol, produzido por cem reais, vai ser vendido por quatrocentos (embutido o lucro). Todo este processo, além de demorado, burocrático e caro, é um cenário perfeito para que empresários mal intencionados possam enganar seus clientes. É por isso que não é raro, encontrarmos numa mesma cidade, uma diferença de preço entre peças de reposição, de até 300%.

Dependendo do ponto em que certas lojas se encontram, alguns costumam jogar a culpa do preço alto dos produtos em cima do aluguel caro da loja. Nem sempre. Muitas vezes, os preços são definidos no achômetro. O empresário mal intencionado acha que o produto dele vale X, sendo que na realidade vale Y. É muito fácil cobrar além do que vale, já que o preço real fica escondido no meio de tanta sobrecarga de taxas, serviços e impostos. “Há também os carteis e acordos entre os “concorrentes”: “– Você cobra X e eu Y. Quando seu estoque estiver no final, você cobra Y e eu X”. E por aí vai.

A verdade é que a combinação do Lucro Brasil com a alta carga tributária, as dificuldades na distribuição e transporte dos produtos, faz com que tudo no Brasil seja exageradamente caro. Mas o maior peso é da carga tributária. Existem produtos que saem tão caros da linha de produção, que o seu lucro é mínimo.

Tantos impostos, taxas e problemas na distribuição deixam o consumidor totalmente sem noção do valor real de um produto. O que ele nota, e muito bem, é que está cada vez mais caro viver no Brasil. E não é porque o país está melhorando.

Pois bem, debaixo dessa “terra adorada” tudo continua exatamente como antes. Trabalhamos muito para pagar o luxo dos nossos representantes em Brasília. A classe média e os mais pobres continuam pagando mais impostos para que os filhos dos mais ricos estudem nas melhores universidades. E estamos, mais do que nunca, enriquecendo os empresários do mundo inteiro, quando pagamos um valor exagerado por um produto que, muitas vezes, vale menos da metade do preço.

Exibir nas etiquetas, o valor dos impostos embutidos nos produtos, não vai ser o suficiente para reduzir, ou frear a alta dos preços no Brasil. É preciso que haja transparência desde o processo de produção, para que assim, se conheça o valor real de cada produto. E precisamos parar de nos “encantar” com qualquer novidade que aparece no mercado. Fazemos isso há mais de 500 anos, desde quando os portugueses chegaram por aqui. Está passando da hora de evoluirmos.

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